Acordo de Alvor foi em Janeiro
Agostinho Neto assina o Acordo
Angola comemora este ano 40 anos desde que se tornou independente, a 11 de Novembro de 1975, numa altura em que o país marca passos significativos em todas as frentes, interna e no cenário internacional.

O país ganhou experiência e destaca-se na região e no mundo como um importante elemento para a paz e estabilidade mundial. Este reconhecimento explica, também, a eleição com quase unanimidade como membro não permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas para os próximos dois anos, repetindo o feito de 2002 e 2003, altura em que o país tinha acabado de concluir com sucesso e sem intervenção externa, o processo de paz que colocou fim a vários anos de conflito armado.

O cenário para a independência desenvolveu-se meses depois de derrubada a ditadura em Portugal pela Revolução dos Cravos, em 25 de Abril de 1974, quando se abriram perspectivas históricas imediatas para a independência de Angola.

O novo governo revolucionário português iniciou negociações com os três principais movimentos de libertação: o MPLA, liderado por Agostinho Neto, a FNLA, de Holden Roberto e a UNITA, de Jonas Savimbi, no período de transição e do processo de implantação de um regime democrático em Angola e nos marcos dos Acordos de Alvor de Janeiro de 1975.

A independência foi o culminar de um processo que começou com a luta de libertação nacional iniciada a 4 de Fevereiro de 1961, tendo o MPLA, como principal interveniente, na voz do seu Presidente, António Agostinho Neto, proclamado ao mundo a independência de Angola, até então uma das colónias portuguesas em África.

Alcançada a independência, o país mobilizou-se para pôr em funcionamento toda a máquina produtiva, saqueada com a retirada precipitada dos colonos. É lançada uma campanha massiva para a formação de quadros no país e no exterior. O país veio a conhecer um grande revés: a morte do Presidente Agostinho Neto a apenas quatro anos da Independência Nacional, em Setembro de 1979. Ao mesmo tempo, o país sofre a agressão de tropas invasoras no Norte e no Sul. José Eduardo dos Santos, então ministro do Plano, assumia a Presidência, no mesmo ano.

De 1986 a 1992, o Presidente José Eduardo dos Santos empenhou-se na pacificação do país e na região, que culminou com a retirada das tropas invasoras sul-africanas, o repatriamento do contingente cubano e a independência da Namíbia

O Presidente José Eduardo dos Santos lançou as pontes para uma solução negociada, dinamizou a abertura ao pluralismo político e à economia de mercado e organizou eleições democráticas multipartidárias em Setembro de 1992 sob supervisão internacional, que o MPLA ganhou com maioria absoluta.

Na grave crise que se seguiu, provocada pela recusa da UNITA em aceitar o veredicto da ONU de que as eleições foram livres e justas, o Presidente José Eduardo dos Santos dirigiu pessoalmente a intensa actividade diplomática que culminou no reconhecimento do Governo angolano pelos EUA, em 19 de Maio de 1993, impulsionou a instituição dos órgãos de soberania eleitos e organizou a defesa das instituições democráticas, forçando os opositores armados a aceitarem uma solução negociada do conflito, consubstanciada nos Acordos de Lusaka de Novembro de 1994.